Sobre-endividamento é um vocábulo recente, porém faz parte do nosso dia-a-dia. Está associado à rutura financeira das famílias, à sua falta de liquidez, ao desfasamento entre receitas e despesas, pode-se dizer que é um resultado do lado perverso da democratização do crédito.

As consequências do sobre-endividamento são graves e com fortes repercussões na qualidade e sustentabilidade da vida familiar e no seu desenvolvimento económico e social.

 

Quando se considera o consumidor sobre-endividado?

O sobre-endividamento ocorre quando os rendimentos mensais do consumidor ou da família são insuficientes para fazer face às despesas regulares, nas quais se destacam os consumos indispensáveis (alimentação, água, luz, eletricidade) e as prestações de crédito. Considera-se que existe um elevado nível de endividamento quando os rendimentos possibilitam apenas o pagamento das despesas mensais, não permitindo que reste algum dinheiro até ao final do mês. Nesta situação, considera-se que existe uma taxa de esforço muito elevada.

 

O que é a taxa de esforço?

A taxa de esforço não é mais do que o peso que as prestações mensais do crédito no rendimento líquido do agregado familiar. Para se calcular esta taxa, divide-se o valor total das prestações pelo total dos rendimentos do agregado familiar. O valor apurado deverá ser multiplicado por 100, o que permite encontrar o valor da taxa de esforço em termos percentuais.

 

Quando é que a taxa de esforço se considera elevada?

Uma taxa superior a 35% é elevada, uma vez que não permite acautelar uma situação imprevista, como por exemplo, desemprego ou cortes salariais. Se a taxa de esforço for elevada (superior a 35%) é aconselhável tomar algumas medidas urgentes, começando pela reorganização do orçamento mensal.

 

Qual é a taxa de esforço ideal?

Não existe propriamente uma taxa que seja a ideal, mas se estiver abaixo dos 35%, será um elemento de segurança. Basta pensar nos imprevistos como o desemprego, uma doença prolongada ou um acidente que o impeça de trabalhar ou mesmo a subida da taxa de juros para ter o orçamento familiar alterado. Assim, é importante ter uma taxa de esforço baixa e um fundo de emergência para enfrentar dificuldades e contribuir para a estabilidade financeira normal da família.

 

Quando as contas se complicam – O que se deve fazer?

Quando o consumidor se confronta com dificuldades financeiras, o pior que pode fazer é deixar arrastar a situação. Deve contactar de imediato as entidades credoras, mesmo que ainda não se encontre em incumprimento, apresentando a situação em que se encontra. Quando existam prestações em atraso é ainda mais urgente efetuar esse contacto, , uma vez que, se não for estabelecido um acordo, a dívida tenderá a aumentar. Evite contrair novos créditos para fazer face às dificuldades financeiras, pois essa decisão poderá ser o início de um processo “bola de neve”.

 

O consumidor pode pedir ajuda à DECO?

Pode. Qualquer consumidor ou família confrontada com dificuldades financeiras pode pedir a orientação ou mesmo o apoio do Gabinete de Proteção Financeira da DECO. A nossa atuação passa pela análise da situação socioeconómica do consumidor e, sempre que se justifique, pelo contacto com as entidades credoras com o objetivo de efetuar uma reestruturação dos contratos de crédito/dívidas, encontrando assim formas que permitam ao consumidor cumprir com as suas obrigações financeiras e reorganizar o seu orçamento familiar.

 

Conte sempre com o nosso apoio e  informação. Assista ao nosso vídeo  sobre como evitar a rutura financeira aqui:

 

Quer saber qual a melhor opção para a sua situação?

O Gabinete de Proteção Financeira dá-lhe orientação. Fale com os nossos especialistas através do número 213 710 238, ou envie-nos as suas dúvidas para o email: protecaofinanceira@deco.pt .

 

Mas se o que pretende é orientação financeira especializada ou a  intervenção do Gabinete de Proteção Financeira para a resolução da sua situação então registe-se e apresente-nos a sua situação .