O projeto RAISE-PT – Mesas Redondas para Ação e Investimento em Energia Sustentável em Portugal, do qual a DECO faz parte, lançou o estudo “Modelos de Financiamento para a Transição Energética”. Este relatório apresenta dados concretos sobre como diferentes organizações em Portugal financiam e investem em projetos de transição energética, identificando tendências, obstáculos e oportunidades.
Para a DECO, o estudo, que contou com a participação de 100 entidades de perfis diversos (incluindo entidades financeiras, públicas, sem fins lucrativos, grandes empresas e PME), evidencia a importância de se apoiar consumidores e organizações na tomada de decisão informada sobre investimentos sustentáveis, contribuindo para um mercado energético mais justo, competitivo e eficiente.
Em termos globais, este estudo revela que mais de 80% das organizações consideram a transição energética uma prioridade estratégica. Apesar disso, apenas 69% destas entidades concretizaram investimentos nesta área nos últimos três anos, evidenciando um desfasamento entre a intenção e a prática de investir em sustentabilidade.
O capital próprio continua a ser a fonte de financiamento mais utilizada, seguido dos fundos públicos e empréstimos bancários. Importa ressaltar que há uma tendência clara de diversificação das fontes de financiamento a usar no futuro, com um aumento da procura por linhas de crédito dedicadas e fundos públicos, considerados mais alinhados com as necessidades dos projetos de transição energética.
O estudo também identifica os principais obstáculos enfrentados pelas organizações, destacando que cerca de 64% dos respondentes apontam o excesso de burocracia como o principal limitador para aceder a financiamento, seguido pelos tempos excessivos de aprovação de projetos (51%) e pela falta de produtos financeiros adaptados ao perfil dos promotores.
Outro ponto relevante é que 74% das entidades declararam não conhecer ou não utilizar opções de financiamento alternativas, como modelos ESCO, comunidades de energia renovável, crowdfunding ou instrumentos financeiros híbridos, sublinhando a necessidade de maior literacia e divulgação destas soluções no ecossistema nacional.
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