Um novo estudo europeu revela que os produtos com rótulo ecológico europeu (EU Ecolabel) podem ser, em média, mais baratos do que os convencionais. Contudo, nem todos os consumidores têm igual acesso a estas opções.
A investigação incluiu um exercício de cliente mistério em supermercados de 13 países europeus, incluindo Portugal, e centrou-se nos seguintes produtos: papel higiénico, loções corporais, fraldas e produtos de limpeza multiusos.
Teve como objetivo avaliar a disponibilidade e o preço de produtos com o rótulo ecológico europeu e outros selos nacionais reconhecidos. Estes rótulos garantem que os produtos cumprem exigentes critérios ambientais e de saúde, desde a produção até ao fim de vida.
O que revelou o Estudo
Preço: Na maioria dos países analisados os produtos com rótulo ecológico custam, em média, 9% a 27% menos do que os convencionais.
Disponibilidade: O acesso varia de forma significativa entre países. Na Dinamarca, cerca de 80% dos produtos verificados tinham rótulo ecológico; na Grécia e em Chipre a percentagem ficou abaixo de 2%.
O caso português
Em Portugal, os produtos com rótulo ecológico apresentam, em média, um preço 17% inferior ao dos convencionais. Contudo, a oferta mantém-se restrita e depende em grande medida das marcas próprias das cadeias de distribuição. A DECO confirma que, apesar de haver alternativas competitivas em preço, a sua visibilidade e disponibilidade ainda não são suficientes.
Consumidores querem escolhas sustentáveis, mas enfrentam barreiras
Os dados mostram que os consumidores desejam comprar de forma mais sustentável, mas enfrentam obstáculos significativos.
O greenwashing desenfreado confunde os consumidores e fragiliza a sua confiança nas alegações ambientais. Três em cada quatro produtos à venda na União Europeia apresentam uma alegação “verde”, mas mais de metade são enganosas, infundadas ou imprecisas, segundo a Comissão Europeia.
Perante este cenário, certificações credíveis como o EU Ecolabel desempenham um papel essencial, ajudando os consumidores a identificar de imediato os produtos mais saudáveis e sustentáveis.
O que está em causa a nível europeu
O relatório é divulgado num momento em que decorrem negociações sobre a Diretiva das Alegações Ecológicas, que visa estabelecer regras claras e rigorosas para as empresas que comunicam benefícios ambientais. O processo legislativo encontra-se atualmente bloqueado, levantando receios quanto ao risco de a proposta ser enfraquecida ou abandonada.
A DECO reafirma a sua posição: é fundamental que os consumidores portugueses tenham acesso facilitado a produtos mais sustentáveis, a preços justos e com informação transparente.
Incentivamos os distribuidores a tornar estas opções mais visíveis e acessíveis, e apelamos às autoridades europeias para avançarem com regras eficazes contra o greenwashing.
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