Os consumidores que tenham o crédito à habitação revisto em julho vão voltar a sentir um aumento da prestação mensal.

Embora as subidas sejam relativamente moderadas, constituem mais um teste à capacidade financeira de muitas famílias, sobretudo daquelas que já têm um orçamento muito pressionado pelo aumento do custo de vida.

A prestação da casa continua a representar a maior despesa mensal para milhares de agregados familiares.

Quando aumenta, mesmo que apenas algumas dezenas de euros, reduz a margem disponível para suportar outras despesas essenciais, como alimentação, energia, educação ou transportes.

 

Quanto vai aumentar a prestação?

Segundo as médias da Euribor apuradas em junho, os contratos revistos em julho registam aumentos em todas as maturidades.

 

Tomando como exemplo um empréstimo com prazo de 30 anos e spread de 1%, verifica-se que:


Capital em dívidaEuribor 3MEuribor 6MEuribor 12M
100.000 €+ 12,56 €+24,60€+38,84 €
150.000 €+ 18,85 €+36,90 €+58,27 €
250.000 €+ 31,42 €+61,50 €+97,12€

Os aumentos são particularmente expressivos nos contratos indexados à Euribor a 12 meses, uma vez que a revisão incorpora a evolução das taxas ao longo de um período mais alargado.

 

O verdadeiro impacto não está apenas nos euros

Um aumento de 30 ou 40 euros por mês pode parecer reduzido quando analisado isoladamente. No entanto, importa olhar para o orçamento familiar como um todo.

Por exemplo:

  • Um aumento de 40 euros representa cerca de 480 euros por ano.
  • Um aumento de 60 euros corresponde a mais 720 euros anuais.
  • Um aumento próximo dos 100 euros significa um acréscimo superior a 1.100 euros por ano.

Para muitas famílias, este montante equivale ao orçamento anual das férias, ao pagamento do seguro automóvel ou mesmo a uma parte significativa das despesas escolares.

Quando o orçamento já está totalmente comprometido, qualquer aumento da prestação pode obrigar a reduzir a poupança ou mesmo recorrer ao crédito para fazer face às despesas correntes.

Quem deve estar mais atento?

As famílias mais vulneráveis são aquelas que:

  • destinam mais de um terço do rendimento líquido ao pagamento dos créditos;
  • possuem vários empréstimos em simultâneo;
  • têm pouca ou nenhuma poupança de emergência;
  • registaram recentemente uma diminuição do rendimento;
  • suportam despesas acrescidas com filhos ou familiares dependentes.

Nestes casos, uma pequena subida da prestação pode traduzir-se numa dificuldade crescente em cumprir todos os compromissos financeiros.

O que podem fazer os consumidores?

Embora a evolução da Euribor não dependa das famílias, existem várias medidas que podem ajudar a reduzir o impacto.

  1. Rever o orçamento familiar

A atualização da prestação deve ser imediatamente refletida no orçamento mensal, identificando despesas que possam ser reduzidas ou adiadas.

  1. Reforçar a poupança preventiva

Sempre que possível, é importante constituir uma reserva financeira que permita acomodar futuras oscilações das prestações.

  1. Avaliar as condições do crédito

Vale a pena confirmar se o spread continua competitivo e comparar propostas de outras instituições financeiras. Em muitos casos, a transferência do crédito pode permitir reduzir o custo global do empréstimo.

  1. Analisar a taxa fixa ou mista

Dependendo do perfil da família e da sua capacidade financeira, pode ser oportuno ponderar soluções que proporcionem maior estabilidade nas prestações.

  1. Procurar apoio antes de entrar em incumprimento

Quem antecipa dificuldades não deve esperar pelo atraso nas prestações. Contactar atempadamente o banco permite encontrar soluções de reestruturação ou renegociação antes de surgir o incumprimento.

 

A literacia financeira continua a ser a melhor proteção

A evolução das taxas de juro demonstra que os créditos à habitação estão sujeitos às condições dos mercados financeiros. Por isso, mais do que reagir quando a prestação aumenta, importa preparar o orçamento para diferentes cenários.

As famílias que acompanham regularmente as suas despesas, mantêm uma reserva financeira e conhecem os seus direitos estão mais bem preparadas para enfrentar períodos de subida das taxas de juro sem comprometer a sua estabilidade financeira.

Mais do que saber quanto aumenta a prestação da casa, importa perceber quanto esse aumento representa no equilíbrio financeiro da família. É essa visão global que permite tomar decisões atempadas e evitar situações de sobre-endividamento.

 

Precisa de mais informação?

Entre em contacto os especialistas do Gabinete de Proteção Financeira através do telefone 213 710 238 ou envie-nos as suas dúvidas para o protecaofinanceira@deco.pt

 

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