Portugal envelhece a um ritmo acelerado e o aumento da esperança média de vida é, sem dúvida, uma vitória social. No entanto, a longevidade traz desafios financeiros que não podem ser ignorados. Com pensões públicas muitas vezes insuficientes e custos de saúde crescentes, a pergunta impõe-se: estamos preparados para financiar uma vida mais longa?

 

A segurança na reforma não se improvisa, alerta a DECO; constrói-se com planeamento antecipado e exigindo soluções de mercado mais transparentes e eficazes.

 

A realidade dos números

 O Retrato da Reformado em Portugal

Atualmente, Portugal conta com cerca de 2,5 milhões de pensionistas. No entanto, por trás dos números esconde-se uma vulnerabilidade latente:

  • Rendimentos Baixos: A pensão média ronda os 645€, mas metade dos reformados sobrevive com menos de 462€ mensais.
  • Desigualdade de Género: As mulheres recebem, em média, 40% menos do que os homens, fruto de carreiras com salários mais baixos ou interrompidas para prestar cuidados à família.
  • Solidão e Custos Fixos: O aumento do custo da habitação, alimentação e da saúde pesa drasticamente no orçamento de quem vive sozinho, tornando a gestão mensal um exercício de equilibrismo.

 

O “Alerta” da Taxa de Substituição

Depender exclusivamente do Estado é um risco crescente. Estima-se que, até 2070, a taxa de substituição (a diferença entre o último salário e a primeira pensão) possa cair para os 38,9%. Isto significa que, sem poupança complementar, o padrão de vida sofrerá um corte drástico no momento da reforma.

 

O Efeito Dominó nas Famílias

A fragilidade financeira dos seniores acaba por sobrecarregar as gerações mais novas. Quando a pensão não chega para cobrir um lar ou cuidados domiciliários, são os filhos quem assume os custos, comprometendo a sua própria capacidade de poupar para o futuro. Cria-se, assim, um ciclo de insegurança financeira intergeracional.

 

Quatro pilares para preparar o futuro

Para que a longevidade seja uma oportunidade e não um risco, a DECO recomenda quatro eixos de ação:

  1. Planeamento Precoce: Não espere pelos 60 anos. Calcule a sua pensão estimada hoje e projete as suas despesas futuras.
  2. Diversificação da Poupança: Explore Planos Poupança Reforma (PPR), mas também seguros de dependência e outros instrumentos de longo prazo que protejam contra imprevistos de saúde.
  3. Gestão Inteligente do Património: Avalie o papel da sua habitação. Opções como o arrendamento, a venda para compra de uma casa menor ou a transmissão planeada devem ser discutidas em família.
  4. Literacia e Vigilância: Mantenha-se informado para evitar burlas financeiras e produtos bancários complexos que não se adequam ao seu perfil de risco.

Nota da DECO:

A proteção financeira não é apenas uma responsabilidade individual, mas um dever do Estado e do mercado, que devem disponibilizar produtos claros e acessíveis.

 

Como pode a DECO ajudar

A Associação acompanha os consumidores em todas as fases da vida, oferecendo:

  • Aconselhamento Personalizado: Apoio na escolha de produtos de poupança e proteção.
  • Educação Financeira: Workshops e ferramentas para ajudar a decidir com consciência.

Preparar o amanhã é a única forma de garantir que viver mais signifique viver com dignidade.

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