As intempéries que têm atingido recentemente Portugal, com destaque para a tempestade Kristin, provocaram elevados danos humanos e materiais, com impactos significativos nos orçamentos familiares, incluindo habitações danificadas, perda de rendimentos e aumento de despesas inesperadas.

Em resposta, o Governo aprovou um pacote excecional de medidas sociais, económicas e financeiras, destinado a proteger as famílias mais afetadas e a estabilizar a sua capacidade de recuperação e consumo.

Em atualização

Principais Medidas de Apoio ao Orçamento Familiar

  1. Subsídios Diretos às Famílias
  • Apoios sociais para famílias em situação de carência ou com perda de rendimento diretamente causada pela tempestade.
  • Concedidos em parcela única ou prestações, com teto mensal de 1.074,26 € por familiar, até 12 meses, mediante avaliação social.

Como pedir o apoio

 Contactar os serviços da Segurança Social: o pedido é iniciado junto da Segurança Social, através de:

      • Balcões de atendimento presenciais;
      • Linha de atendimento;
      • Serviços de ação social locais (incluindo as equipas mobilizadas).
  1. Apoio à Recuperação da Habitação Própria e Permanente
  • Apoio financeiro até 10.000 € para obras de reconstrução e reparação de habitação própria e permanente danificada, incluindo despesas de realojamento temporário.

Como pedir o apoio
A candidatura é feita através de um formulário online disponível nos sites do Governo e das CCDR.
Quem não conseguir fazê-lo online pode dirigir-se à câmara municipal ou junta de freguesia. É necessário apresentar documentos que comprovem os danos, a titularidade do imóvel e o IBAN.

Está disponível online a plataforma para pedir apoios até 10 mil euros para a reparação, reabilitação ou reconstrução de habitações, na página da:

CCDRC – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, que pode ser consultada AQUI

CCDR LVT – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, que pode ser consultada AQUI 

Quando é feito o pagamento
Após aprovação:

Despesas até 5.000€ → pagamento em 3 dias úteis;

Despesas entre 5.000€ e 10.000€ → pagamento até 15 dias úteis.

Quem receba indemnização do seguro e apoio do Estado para as mesmas despesas terá de devolver os valores recebidos a mais.

  1. Isenções e Moratórias de Pagamentos

Moratória de 90 dias em empréstimos bancários de habitação, com possibilidade de extensão em casos mais graves.

    1. Quem pode aceder à moratória?

Beneficiários:  Pessoas singulares

Titulares de crédito à habitação própria e permanente cujos contratos (mútuo hipotecário ou locação financeira imobiliária) estejam abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 74-A/2017 e cujo imóvel financiado esteja num dos municípios com declaração de calamidade.

Pessoas singulares não residentes nesses municípios que, ainda assim, sejam abrangidas pelo regime de lay-off por trabalharem em empresas sediadas ou que exerçam atividade nesses territórios abrangidos.

    1. Condições cumulativas de acesso

Para aceder à moratória, o consumidor deve cumprir por referência a 28 de janeiro de 2026, o seguinte:

Situação perante a banca : Não estar em mora com prestações pecuniárias há mais de 90 dias

 Situação fiscal e contributiva: Ter a situação regularizada perante a Autoridade Tributária e Aduaneira e perante a Segurança Social, nos termos legais aplicáveis.

A documentação comprovativa deve ser enviada com a declaração de adesão ao banco.

    1. Formalização do pedido

O pedido de adesão deve ser feito preferencialmente por meio eletrónico junto da instituição de crédito

    1. Prazos de decisão

Decisão do banco em:

    • 3 dias úteis, quando o cliente não preenche os requisitos;
    • 5 dias úteis, quando os requisitos estão preenchidos, aplicando-se a moratória com efeitos retroativos a 28 de janeiro de 2026.

A ausência de resposta no prazo de 5 dias úteis determina a aplicação automática das medidas de apoio ao beneficiário.

    1. Medidas entre 28 de janeiro e 28 de abril de 2026

Proibição de cobrança de encargos

Até 28 de abril de 2026, as instituições não podem cobrar comissões, despesas ou quaisquer outros encargos relacionados com:

    • A análise;
    • A formalização;
    • O acesso à moratória.
    1. Efeitos da moratória

A moratória suspende o pagamento de capital, juros e outros encargos associados ao crédito à habitação própria e permanente por 90 dias, com início em 28 de janeiro de 2026.

 A suspensão termina a 27 de abril de 2026, independentemente da data em que for pedido.

  1. Proteção ao Emprego e ao Rendimento
  • Apoios a trabalhadores independentes;
  • Prioridade em programas de formação profissional e emprego.

 

Impactos Financeiros Além dos Danos Materiais

A tempestade severa que muitas famílias enfrentaram deixou um rastro com efeitos que vão além dos prejuízos físicos e que podem incluir:

  • Perda de rendimentos do trabalho ou de atividades económicas
  • Despesas inesperadas com reparações ou habitação
  • Redução das poupanças familiares
  • Maior risco de endividamento de consumo

 

Aceleração das peritagens dos seguros

O Governo comprometeu-se em garantir que as seguradoras irão realizar 80% das vistorias nos próximos 15 dias. Para facilitar, o Governo garante que, em muitos casos, o registo fotográfico será suficiente para a peritagem do sinistro de modo a permitir reparações imediatas.

 

Intervenções urgentes em coberturas e telhados

No caso de Leiria, aguardamos, ainda os resultados de uma reunião entre o Governo e a Associação dos Industriais da Construção para organizar respostas rápidas na reparação de telhados e coberturas, considerados prioritários para evitar o agravamento dos prejuízos das habitações próprias dos consumidores.

 

Ter Acesso à Informação é Fundamental

Nesses momentos críticos nem sempre é claro a quem se deve recorrer ou que medidas tomar. Conhecer e utilizar os apoios disponíveis, permite às famílias minimizar os impactos financeiros, garantir liquidez imediata, proteger rendimentos, reduzir encargos e recuperar a estabilidade económica e familiar.

Se foi afetado ou conhece alguém que enfrenta dificuldades e não sabe onde procurar informações sobre as medidas disponíveis ou como agir, entre em contacto com a DECO.

Sempre que identifique lacunas ou necessidades de melhoria, a DECO reivindicará alterações junto das autoridades competentes, assegurando que as respostas sociais e financeiras sejam efetivas, adequadas e focadas nas famílias mais afetadas ou vulneráveis.

 

Precisa de mais informação?

Entre em contacto os especialistas do Gabinete de Proteção Financeira através do telefone 213 710 238 ou envie-nos as suas dúvidas para o protecaofinanceira@deco.pt

 

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