Perante a incerteza económica em que vivemos as famílias portuguesas estão ainda mais cautelosas, não tendo grande propensão para investir em produtos de risco, assumindo um perfil mais conservador nos investimentos que estão a fazer.

O Estado voltou a apostar na poupança dos particulares com o lançamento dos novos Certificados do Tesouro – Série 5.

Mas será esta uma oportunidade a aproveitar?

Existem alternativas mais vantajosas?

Se procura proteger o seu dinheiro sem correr grandes riscos, vale a pena conhecer as características deste novo produto e perceber se faz sentido para os seus objetivos financeiros e na definição de uma estratégia de investimentos.

 

O que são os Certificados do Tesouro (CT)?

Os Certificados do Tesouro são títulos de dívida emitidos pelo Estado português.

Na prática, ao investir em CT está a emprestar dinheiro ao Estado, que, em troca, lhe paga juros durante o período de investimento.

Por terem garantia da República Portuguesa, são considerados um dos investimentos de menor risco disponíveis para investidores particulares.

A nova Série 5 apresenta uma maturidade  até 10 anos e oferece taxas de juro fixas e crescentes, permitindo saber, desde o primeiro dia, quanto irá receber em cada ano.

 

Quem pode investir?

Podem subscrever os Certificados do Tesouro todos os particulares, residentes e não residentes em Portugal, desde que possuam uma Conta Aforro.

  • Investimento mínimo: 1 000 euros
  • Investimento máximo: 1 milhão de euros por conta Aforro

 

Onde podem ser subscritos?

A subscrição pode ser efetuada de forma simples através de:

  • Balcões dos CTT- Correios de Portugal
  • Plataforma AforroNet;
  • Espaços Cidadão aderentes;
  • Canais digitais do Banco de Investimento Global
  • Entidades contratadas pelo IGCP.

A subscrição é relativamente simples e o processo é muito semelhante ao utilizado para os Certificados de Aforro.

 

Maturidade dos Certificados do Tesouro Série 5

10 anos (nos Certificados de Aforro Série F é de 15 anos)

Quanto rendem?

Uma das maiores vantagens desta nova emissão é a previsibilidade da remuneração.

Ao contrário de outros produtos financeiros cuja remuneração depende da evolução dos mercados ou das taxas de juro de referência (Euribor), aqui o investidor conhece antecipadamente as taxas aplicáveis durante toda a duração do investimento, permitindo um melhor planeamento e reduzir a incerteza.

 

PRINCIPAIS VANTAGENS

Segurança acima de tudo

O capital beneficia da garantia do Estado português, tornando este produto uma das aplicações financeiras mais seguras do mercado.

Juros conhecidos desde o início

Não existem surpresas. As taxas são definidas no momento da subscrição e aumentam progressivamente ao longo dos anos.

Os aforristas que mantenham os certificados do tesouro «série 5» até ao seu vencimento, beneficiarão de uma taxa de juro fixa que variará entre 2,35% (1.º ano) e 3,35% (10.º ano), numa média de 2,710% (1,951% líquida de imposto, à taxa liberatória de 28%).

Estabilidade num mercado volátil

Para quem prefere evitar as oscilações da bolsa ou das obrigações, os Certificados do Tesouro oferecem uma solução previsível e de baixo risco.

Poupança de longo prazo

Podem ser uma boa opção para quem pretende criar uma reserva financeira para a reforma, financiar estudos dos filhos ou preparar projetos futuros.

 

ASPETOS MENOS POSITIVOS

Nem tudo são vantagens. Antes de investir, importa conhecer algumas limitações.

Liquidez

O resgate antecipado apenas é permitido após o primeiro ano, pelo que este produto não é indicado para quem possa precisar do dinheiro a curto prazo.

Capital inicial mais elevado

O investimento mínimo é de 1 000 unidades (valor nominal de 1000 euros), tornando-se menos acessível do que os Certificados de Aforro (mínimo 100 unidades/100 euros).

Capital garantido, mas a Inflação pode ser um desafio

Mesmo recebendo juros, se a inflação superar a remuneração do produto, o rendimento real pode não ser muito positivo, embora o capital esteja garantido.

Não há capitalização de juros

Os juros vencidos são pagos anualmente, após dedução do imposto e creditados em conta para o IBAN associado à conta Aforro, ao contrário dos Certificados de Aforro, em que os juros são automaticamente somados ao capital (líquidos de IRS) e reinvestidos (juros compostos), reduzindo assim o potencial de crescimento do investimento ao longo do tempo.

 

COMO SE POSICIONAM FACE ÀS ALTERNATIVAS?

Certificados de Aforro Série F

São os concorrentes naturais desta nova emissão.

Enquanto os Certificados de Aforro Série F oferecem maior flexibilidade, investimento mínimo mais reduzido e capitalização automática dos juros, a sua remuneração varia em função da evolução da taxa Euribor a 3 meses, num mínimo de 0% e máximo de 2,5%.

Acresce também um prémio de permanência crescente de 0,25% no 2.º ano a 1,75% nos dois últimos anos (14.º e 15.º anos).

Certificados do Tesouro

Já os Certificados do Tesouro privilegiam a estabilidade, permitindo conhecer antecipadamente a rentabilidade e não oferecem prémio de permanência.

Resgate (total ou parcial)

O resgate dos Certificados de Tesouro Série 5 pode ser feito a partir do primeiro ano de subscrição. Após o 1.º ano podem ser efetuados resgates, a todo o tempo, com perda total dos juros decorridos desde o último vencimento de juros até à data de resgate.

Nos Certificados de Aforro Série F o reembolso poderá ser feito ao fim de 3 meses.

Depósitos a prazo

Continuam a ser a escolha da maioria dos portugueses, pela garantia de capital.

Apesar da simplicidade e da possibilidade de mobilização antecipada em muitos casos, as taxas oferecidas pelos bancos para este produto continuam, em geral, pouco atrativas, sobretudo para prazos mais longos.

Fundos de investimento

Embora não garantam capital, os fundos investem em ativos de elevada qualidade e risco reduzido.

Os fundos podem oferecer maior potencial de valorização e liquidez diária.

No entanto, essa possibilidade vem acompanhada de um nível de risco superior, uma vez que não existe garantia de capital.

 

Afinal, para quem fazem sentido?

Os novos Certificados do Tesouro poderão ser uma solução interessante para quem:

  • privilegia a segurança do capital;
  • procura diversificar as poupanças;
  • tem objetivos financeiros de médio ou longo prazo;
  • prefere investimentos previsíveis e de baixo risco.

Já os investidores que procuram rentabilidades mais elevadas ou uma proteção mais eficaz contra a inflação poderão necessitar de complementar esta solução com outros tipos de investimento.

Vale a pena investir?

Os novos Certificados do Tesouro Série 5 reforçam a oferta de produtos de poupança garantidos pelo Estado e chegam numa altura em que muitos portugueses procuram segurança para o seu património.

No entanto, a garantia de capital não deve ser o único fator de decisão. É igualmente importante avaliar a liquidez, o impacto da inflação, o horizonte temporal do investimento e comparar esta solução com as restantes alternativas disponíveis no mercado.

Num cenário de incerteza económica, a proteção das poupanças continua a ser uma prioridade para muitas famílias portuguesas. A questão é saber se a segurança oferecida pelos Certificados do Tesouro compensa a rentabilidade relativamente moderada que proporcionam.

Mais do que perguntar “quanto rende?”, talvez a questão certa seja:

Este investimento encaixa na minha estratégia financeira?

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