Foi publicada, no dia 21 de maio, a lei que prolonga por mais 12 meses as medidas excecionais de apoio às famílias e entidades afetadas pela tempestade “Kristin” e pelos fenómenos hidrológicos subsequentes.

 

Na prática, esta lei permite o adiamento do pagamento de capital, juros e outros encargos associados a contratos de crédito, bem como impede a revogação de linhas de crédito já existentes. O objetivo é mitigar as dificuldades financeiras registadas em várias regiões do país.

 

Esta medida constitui um importante mecanismo de alívio temporário para milhares de agregados familiares. No entanto, importa sublinhar que uma moratória não elimina a dívida: apenas adia pagamentos, podendo traduzir-se num aumento dos encargos futuros.

 

O que muda com este diploma?

O novo decreto-lei altera o regime criado em fevereiro de 2026, prolongando as medidas de apoio por um período de 12 meses, com efeitos a partir de 29 de abril de 2026.

 

Entre as principais medidas destacam-se:

  • Suspensão temporária do pagamento de capital, juros e outros encargos de contratos de crédito.
  • Manutenção obrigatória das linhas de crédito contratadas.
  • Aplicação das medidas a famílias, empresas, IPSS, associações e entidades da economia social afetadas.
  • Alargamento do âmbito territorial e dos potenciais beneficiários.
  • Produção de efeitos retroativos a 29 de abril de 2026.

 

Quem pode beneficiar?

Os agregados familiares com crédito à habitação própria e permanente e os trabalhadores afetados por desemprego ou lay-off relacionados com a tempestade.

 

Para beneficiar da moratória, é necessário cumprir determinados requisitos, nomeadamente:

  • Não ter incumprimentos graves no sistema bancário.
  • Ter situação regularizada perante a Autoridade Tributária e a Segurança Social.
  • Ter sido abrangido pelas medidas iniciais de apoio.

 

Qual o impacto para as famílias?

Para muitas famílias, em particular aquelas que sofreram perdas de rendimento devido à paralisação económica causada pelos fenómenos climáticos, esta medida pode funcionar como um verdadeiro “balão de oxigénio”.

 

Num contexto marcado por despesas inesperadas, perda de bens e redução de rendimentos, este adiamento pode ser determinante para preservar alguma estabilidade financeira.

 

Riscos que não devem ser ignorados

Apesar do alívio imediato, as moratórias têm efeitos que devem ser cuidadosamente avaliados. A dívida não desaparece. Os valores suspensos serão pagos mais tarde. Em muitos casos:

  • O prazo do empréstimo aumenta.
  • Os juros continuam a acumular.
  • O custo total do crédito torna-se mais elevado.

 

Em termos simples, uma prestação mais baixa hoje pode significar um maior esforço financeiro no futuro.

 

Atenção à falsa sensação de folga financeira

Um dos principais riscos é a perceção de aumento de rendimento disponível, quando, na realidade, existe apenas um adiamento de encargos.

 

Assim, é essencial que as famílias:

  • Evitem assumir novos créditos.
  • Não utilizem a folga temporária para aumentar consumos não essenciais.
  • Reforcem, se possível, uma reserva de emergência.
  • Priorizem despesas essenciais e a regularização de outros compromissos financeiros.

 

A importância da proteção financeira em contextos de crise climática

Fenómenos climáticos extremos terão impactos crescentes na estabilidade económica das famílias. Esta lei demonstra como eventos ambientais podem rapidamente transformar-se em crises financeiras e sociais.

 

A proteção financeira dos consumidores exige respostas integradas que combinem:

  • Apoio imediato à liquidez.
  • Prevenção do sobre-endividamento.
  • Informação clara e transparente.
  • Acompanhamento das famílias vulneráveis.
  • Políticas públicas de resiliência económica.

 

Mais do que adiar prestações, é fundamental garantir que as famílias conseguem recuperar a sua capacidade financeira de forma sustentável, evitando que uma crise temporária evolua para uma situação prolongada de fragilidade económica.

 

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